sábado, 27 de maio de 2017

UM PODER ENTRE PODERES: NOS 900 ANOS DA RESTAURAÇÃO DA DIOCESE DO PORTO E DA CONSTRUÇÃO DO CABIDO PORTUCALENSE


O Cabido Portucalense e o Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa (CEHR-UCP) vêm convidá-lo a participar na sessão pública de apresentação do livro coordenado por Luís Carlos Amaral:
UM PODER ENTRE PODERES: NOS 900 ANOS DA RESTAURAÇÃO DA DIOCESE DO PORTO E DA CONSTRUÇÃO DO CABIDO PORTUCALENSE.

A sessão terá lugar no dia 12 de Junho, às 21h30, na Biblioteca do Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição - Porto (Largo Dr. Pedro Vitorino, 2) e será presidida por D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto. A apresentação da obra será feita pela Prof.ª Hermínia Vasconcelos Vilar (CIDEHUS- Universidade de Évora; CEHR)

Para mais informações, contacte:
Centro de Estudos de História Religiosa - Porto - PORTUGAL
Tel.: 226 196 200 (Entensão 185)
cehr.porto@porto.ucp.pt I www.cehr.ft.lisboa.ucp.pt

Link do evento: Lançamento do Livro





Autor.: Luís Carlos Amaral
Ano da edição: 2017
Págs.: 422
ISBN: 978-972-8361-72-3
18€ | 23€*


Resumo

Tendo por base investigações apresentadas num Colóquio Internacional, reunido no Porto nos dias 17 e 18 de outubro de 2014, a presente obra reúne contributos de 12 especialistas em estudos medievais, sobre o processo de restauração e reorganização da Diocese do Porto e as suas articulações com o próprio processo da formação do reino de Portugal e da construção de uma Igreja portuguesa.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ciclo "Aprender a ler a arte sacra": Alfaias e paramentos. Os objetos ao serviço de Liturgia

«O ciclo formativo “Aprender a ler a Arte Sacra” é um projeto promovido pela Comissão Diocesana de Arte Sacra de Setúbal que pretende proporcionar a um público geral uma melhor compreensão da diversidade e da essência da Arte Cristã.»

Nesta última sessão da iniciativa «serão elencadas e analisadas as principais tipologias de alfaias e paramentos litúrgicos utilizados no âmbito do culto católico, abordando a sua origem e funcionalidade litúrgica bem como a sua evolução histórica e estilística.

Se é um facto que uma parte significativa das obras-primas das artes da ourivesaria e da paramentaria são de matriz religiosa, torna-se sobretudo fundamental, para além da sua compreensão artística, melhor perceber a funcionalidade e simbologia que deu origem a tais objetos» (Comissão de Arte Sacra da diocese de Setúbal).


Intervenção: Artur Goulart de Melo Borges, coordenador do Inventário do Património Cultural Móvel da Arquidiocese de Évora


Data: 27.5.2017
Hora: 10h00
Local: Setúbal, igreja de S. Sebastião

Observações: A participação é gratuita mediante inscrição prévia para artesacra@diocese-setubal.pt ou 265 539 941 (de terça a sexta-feira, das 14h30 às 16h30). Elementos para inscrição: Nome, idade, profissão, paróquia, diocese, contacto (endereço eletrónico ou telemóvel)
Mais informações: Comissão Diocesana de Arte Sacral

Fonte: SNPC

Instituto Gregoriano de Lisboa assinala 40 anos com ciclo de concertos






O Instituto Gregoriano de Lisboa (IGL), que estuda e pratica «toda a música da área dita erudita, desde a Idade Média até à dos dias de hoje», iniciou a 5 de maio um ciclo de concertos para assinalar os 40 anos de vida.

A iniciativa «tem por finalidade mostrar um pouco do trabalho realizado» na escola pública de ensino artístico especializado da música», refere uma nota de imprensa enviada hoje ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

«Com este ciclo procurou-se ilustrar um pouco do passado e da atualidade do IGL, razão pela qual os músicos intervenientes são ex-alunos e atuais e antigos professores» da instituição.

O repertório «percorre toda a história da música - da Idade Média ao século XX -, e as formações incluem desde Coro Gregoriano com Órgão a Canto e Piano, passando por diversos agrupamentos de Música de Câmara, abrangendo todos os instrumentos leccionados no IGL», explica o mesmo texto.

Os organizadores salientam, entre os concertos (cujo programa se encontra no fim deste artigo), aquele que está agendado para 7 de maio, às 16h00, na igreja de Nossa Senhora de Fátima.

«O destaque vai para o Canto Gregoriano e para o Órgão, instrumento historicamente relacionado com o Canto Gregoriano, ambos elementos centrais na missão educativa da escola, desde a sua fundação», explica o Instituto.

Na ocasião o Coro Gregoriano de Lisboa, dirigido por Armando Possante, interpretará as seguintes obras, "In Honorem Beatae Mariae Virginis": "Introitus: Rorate caeli", "Kyrie IX" (em alternância).

O programa prossegue com "Gloria IX", "Graduale: Diffusa est gratia", "Alleluia: Specie tua", "Offertorium: Ave Maria", "Sanctus IX", "Agnus Dei IX" e "Communio: Diffusa est gratia", sendo acompanhado pelo organista António Esteireiro, que improvisará sobre os temas das peças cantadas.

A constituição "Sacrosanctum Concilium", que o Concílio Vaticano (1962-1965) II dedicou à liturgia, observa que «a Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano», pelo que este terá «na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar».

O IGL, «tomando o Canto Gregoriano como base essencial de toda a cultura musical do Ocidente, destina-se à formação de elementos que, no sector do ensino, da investigação e da execução profissional, contribuam para a elevação do nível artístico e científico no domínio da música em Portugal», lê-se na página da instituição.



História

O IGL, que propõe cursos preparatórios, básicos e secundários de canto gregoriano, cravo, flauta de bisel, órgão, piano, viola de arco, violino e violoncelo, teve como antecedente o Centro de Estudos Gregorianos, criado em 1953 «como uma estrutura de investigação do Instituto de Alta Cultura, e que se destinava a formar investigadores, cantores, organistas e chefes de coro».

Em 1976 o Centro de Estudos Gregorianos foi convertido em estabelecimento de ensino público, passando a designar-se Instituto Gregoriano de Lisboa, com a faculdade de ministrar cursos de nível geral e superior, visando a investigação e o ensino na área da sua especialidade.

Em 1983, «com a extinção dos cursos superiores dos conservatórios, fundaram-se as Escolas Superiores de Música em Lisboa e no Porto, transformando-se então o IGL. numa escola vocacional de música, de ensino básico e secundário», enquanto que os seus cursos superiores transitaram para a Escola Superior de Música de Lisboa, onde se formaria um Departamento de Estudos Superiores Gregorianos.



Formação

A formação «inclui desde os primeiros passos uma intensa atividade artística que se concretiza nas inúmeras audições, concertos e recitais realizados nas instalações da escola e outros locais», com a finalidade de «pôr os jovens em contacto com as condições reais de exercício de uma profissão artística», ao mesmo tempo que se proporciona ao público «a oportunidade de ouvir obras da mais elevada qualidade musical».

O Instituto é «uma escola secundária vocacional especializada do ensino da música que possui planos de estudos próprios, integrando em todos os seus cursos secundários a disciplina de Canto Gregoriano e disciplinas a ela associadas: Educação Vocal, Latim e Modalidade».

«No curso de Canto Gregoriano o plano de estudos inclui em todos os níveis a disciplina de Teclado (que o aluno pode optar por frequentar em Órgão, Piano ou Cravo), a qual tem programas próprios e diferentes das classes de instrumento.»










fonte: SNPC
Publicado em 24.04.2017


Instituto Gregoriano de Lisboa


IX Encuentro Internacional sobre Barroco











IX ENCUENTRO INTERNACIONAL SOBRE BARROCO

“Paisaje y Naturaleza “

14 al 18 de noviembre, 2017

Buenos Aires – Argentina


La Universidad de Buenos Aires y la Fundación Visión Cultural, convocan para los días 14 al 17 de noviembre de 2017, en la ciudad de Buenos Aires – Argentina al IX Encuentro Internacional sobre el Barroco, con el tema “Paisaje y Naturaleza”.

Antecedentes


En diciembre de 2002 se realizó en la ciudad de Santa Cruz de la Sierra (Bolivia) el I E n c u e n t r o I n t e r n a c i o n a l s o b r e e l B a r r o c o A n d i n o , que contó con la presencia de especialistas de diferentes países. Se logró reunir investigaciones en torno a la diversidad del barroco, con el objetivo de generar, en la población y especialmente en las instituciones locales, un espacio de diálogos comunes, de integración y participación, en una acogida consciente del propio patrimonio cultural. En octubre de 2003 tuvo lugar el II Encuentro, con sede en la ciudad de Sucre (Bolivia), con el tema El Barroco y las fuentes de la Diversidad Cultural , logrando congregar también a destacados estudiosos del ámbito internacional.

En el año 2005 se realizó en la ciudad de La Paz (Bolivia) el III Encuentro Internacional, en el que se dio preferencia a temas en torno al tema Manierismo y transición al Barroco . La versión del año 2007 estuvo dedicada a La Fiesta . Participaron especialistas de Europa y América, además de contar con grupos de música barroca de diferentes países. Se realizó en la ciudad de La Paz. El año 2009 se realizó el Encuentro con el tema Entre cielos e infiernos , con la participación de especialistas de 16 países. También en esta ocasión se complementó la actividad con presencia y actuación de grupos de música. Se desarrolló en la ciudad de La Paz.

El año 2011 se llevó a cabo el Encuentro, con el tema La i magen del Poder , en la ciudad de Santa Cruz de la Sierra (Bolivia), con la participación de 40 conferencistas de Europa y América, grupos de música, exposiciones y talleres. El año 2013, el Encuentro sale de Bolivia para realizarse en la ciudad de Arica-Chile, entre Fundación Visión ´cultural y Fundación Altiplano.

El tema que guió este Encuentro fue “Migraciones y Rutas del Barroco”. Motivó a la participación de 60 especialistas de Argentina, Bolivia, Brasil, Canadá, Colombia, Chile, España, Italia, México, Perú, Polonia, Suiza y Venezuela. Se llevaron a cabo, además, 5 talleres temáticos, 5 conciertos de grupos de Bolivia, Chile y Peru y 3 exposiciones artísticas. El 2015, el Encuentro se realizó en la ciudad de Arequipa – Perú, entre Fundación Visión Cultural junto a la Universidad Santa María y Universidad San Pablo de Arequipa, contando con más de 50 especialistas, grupos de música barroca, teatro y exposiciones. IX Encuentro Internacional sobre el Barroco 2017 El año 2017, el Encuentro, que se realizará en la ciudad de Buenos Aires-Argentina, será ocasión para reflexionar y contribuir a la valorización de la riqueza del patrimonio cultural tangible e intangible de los siglos XVII y XVIII, con proyecciones al siglo XXI.

Reunirá a especialistas de diferentes países de América y Europa que presentarán sus últimas investigaciones en los campos.

Paisaje y Naturaleza


La época barroca está caracterizada por una cultura que define un estilo que se manifiesta en el sentir y en el expresarse de los creadores artísticos, de los intelectuales y de la misma población que recibe y dispone de sus productos culturales. El barroco es una posición ante el mundo. Es un modo de vida que incluye diversos aspectos de la vida social, desde lo material a lo inmaterial, desde el pensar hasta lo real, desde lo imaginario hasta la fantasía.

Esta cultura barroca ha producido una serie de códigos que han sido plasmados en obras realizadas a partir de las distintas disciplinas, a través de elementos que coadyuvan al desarrollo de este periodo tan activo en la producción artística, arquitectónica, literaria, musical y teatral, especialmente relacionada con la religión, marcando procesos de producción diversa, que hoy en día se constituyen en elementos del patrimonio cultural de las naciones. Elementos identitarios que coadyuvan al sentido de pertenencia a la revalorización y al resignificado de los bienes culturales.

El paisaje barroco articula territorio y naturaleza en una síntesis de representaciones que marcan y cobran sentido en las composiciones y en la construcción figurada de este periodo y estilo. Paisaje natural y paisaje urbano se funden en una síntesis que define el estilo artístico y la misma cultura, plasmando distintas formas, desde la realista hasta los inspirados oníricamente o los relacionados exclusivamente a la imaginación.

No se trata solamente de los escenarios que constituyen el contexto de muchas figuraciones pictóricas, importantes para dar sentido al espacio y al tiempo, sino del sentido mismo que la producción artística toda propone, donde el mundo se compone armónicamente para expresar su contenido, mediatizada por la cultura barroca, en general, y por los interés artístico y político de sus productores en particular. Los distintos elementos de la naturaleza en el barroco se tornan en códigos o símbolos complementarios, en gran parte provenientes de Europa, pero también muchos otros producidos por las culturas locales, indígenas o criollas, determinando finalmente procesos fundamentales en la búsqueda de la diferencia y la valoración de las nuevas identidades americanas.

En estas imágenes-signo basadas en elementos de la naturaleza americana, la cultura indígena se integra a las estructuras europeas conformando un trabado tejido de significaciones y de formas. Es así como formas y contenidos se amoldan para expresar un sentir particular, generando escenas de paisajes, imaginadas o recreadas, reales o soñadas, dándoles un especial sentido iconográfico, manifestando construcciones emblemáticas caracterizadas por el mestizaje que marca diálogos, contrastes, identidades, procesos permanentes de creatividad, mezclas, superposiciones e interrelaciones permanentes, que han generado producciones en las más variadas disciplinas y aspectos de la actividad humana.


En el I X E n c u e n t r o I n t e r n a c i o n a l s o b r e e l B a r r o c o , se espera reflexionar desde esta perspectiva, que permite reconocer el carácter dinámico del periodo correspondiente a los siglos XVII y XVIII, generador (y adaptador) de formas que llegaron a constituirse en vehículo de nuevos sistemas expresivos que aún en la actualidad manifiestan su vigencia. Áreas Temáticas Se abordarán temas respondiendo al planteamiento del Encuentro en torno a Paisaje y N a t u r a l e z a d e s d e diversas disciplinas: artes, literatura, arquitectura, antropología, historia, teatro, música, filología y otras.

Metodología

Expertos disertarán sobre temas específicos, de acuerdo al programa que se elaborará en función de las propuestas recibidas. Las exposiciones tendrán una duración máxima de 30 minutos, y se agruparán por áreas temáticas. Se prevé dar espacio para diálogos al final de cada panel. El público no se reducirá sólo a profesionales de las disciplinas arriba mencionadas, sino que se invitará también a artistas, profesionales de sectores de la cultura y del turismo, a estudiantes y a personas interesadas.


Participación


Si le resulta posible acudir, le agradeceremos nos haga conocer su decisión hasta el 31 de julio de 2017, enviándonos el título de su ponencia, incluyendo un abstract y un resumen de su hoja de vida. Las ponencias serán de 30 minutos y la versión escrita podrá disponer de 25000 caracteres. Mayores detalles se podrán coordinar con la organización del Encuentro. Enviar el material a: norcam11@gmail.com

Actividades complementarias


Se realizarán conciertos musicales, exposiciones artísticas y proyecciones audiovisuales.

Descargar convocatoria en PDF

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O renascimento do barroco paulista



Resgate de obras, artistas e documentos amplia o conhecimento sobre as expressões desse estilo no estado

Texto de CARLOS FIORAVANTI | ED. 253 | MARÇO 2017
Vídeo postado em Maio de 2017


Revista Pesquisa FAPESP
Podcast: Danielle Pereira

O trabalho integrado de pesquisadores acadêmicos, restauradores profissionais e especialistas de órgãos públicos e de empresas tem resultado na descoberta de obras, autores e documentos do barroco paulista que permaneceram encobertos, desconhecidos ou guardados por mais de um século. Os desenhos, as formas e as cores originais emergem à medida que igrejas são restauradas e pinturas mais recentes removidas, revelando obras de maior valor artístico e histórico. Os achados estão redimensionando o valor das expressões paulistas desse estilo de arte, mais visível e pujante nos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Caracterizado por formas rebuscadas e uma intensa religiosidade, o barroco marcou os primeiros três séculos da colonização do Brasil pelos europeus.

Como consequência de um trabalho iniciado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reapareceram em 2011 as pinturas de 1796 e 1797 do padre santista Jesuíno do Monte Carmelo (1764-1819) nos forros da capela-mor e da nave da Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, no centro da cidade de São Paulo. O escritor paulista Mário de Andrade (1893-1945), pouco antes de morrer, alertou sobre a provável existência da pintura na área central da nave, que estava encoberta. Agora exposta, a imagem original mostra Nossa Senhora cercada por anjos, nuvens e, nas bordas do teto, carmelitas de 2,20 metros (m) de altura. Mário de Andrade nunca soube por que a pintura original havia sido encoberta.

A historiadora de arte Danielle Pereira, pesquisadora do grupo Barroco Memória Viva do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em São Paulo, pensa ter descoberto o que o escritor paulista não sabia. Nos últimos sete anos, ela peregrinou por arquivos de igrejas e de órgãos públicos, examinou cerca de 22 mil páginas de 600 livros antigos e encontrou documentos inéditos sobre as pinturas e seus autores. Com base nos documentos, ela confirmou que a obra de Jesuíno não foi a original, mas a terceira – os forros com as duas anteriores teriam sido removidos –, e encontrou o motivo da troca das pinturas, que intrigava Mário de Andrade. “Os carmelitas mudavam a ornamentação de toda a igreja para seguir os gostos da época e não ficarem atrás das igrejas de outras ordens religiosas, não importando os custos”, apurou Danielle. “A ideia de que o barroco paulista era pobre e ingênuo é descabida.”


© LÉO RAMOS CHAVES


…e o Cristo crucificado, ambos do século XVIII

Autor de 20 livros sobre arte brasileira, o artista plástico e historiador de arte Percival Tirapeli, coordenador do grupo de pesquisa sobre o barroco da Unesp, observa o teto da igreja do Carmo e conta: “Foram quatro anos removendo com bisturi as camadas recentes de tinta”. Atrás do altar está a obra Senhor morto, de 1746, de madeira, também restaurada, de autoria desconhecida, que ele considera “uma das esculturas mais belas do barroco paulista”. A quase 30 quilômetros (km) do centro da capital, na capela de São Miguel Arcanjo, uma das mais antigas do estado, erguida em 1622, foi encontrada uma rara pintura em perspectiva do altar que permaneceu escondido durante décadas por outro altar de madeira, construído cerca de 150 anos depois.

Obras de arte inesperadas apareceram também na matriz de Nossa Senhora da Candelária de Itu, a 101 km da capital, a maior igreja barroca do estado de São Paulo, construída em 1780, em restauração desde 2001. Por indicação do músico Luís Roberto de Francisco, pesquisador do Museu de Música da cidade, as equipes de restauração resgataram seis pranchas de madeira retratando uma das cenas do calvário de Cristo. Encobertas por uma camada de cal, eram provavelmente originais do forro do coro da igreja e tinham sido usadas como proteção de um relógio da torre. Foram feitas por Jesuíno do Monte Carmelo – e não se tinha conhecimento delas.

Em 2015, as equipes de restauração encontraram pinturas em azul nas paredes da capela-mor da matriz de Itu, antes cobertas por tinta de dezenas de anos. Havia uma data, 1788, e uma assinatura que revelou, dessa vez, um autor desconhecido, Mathias Teixeira da Silva, sobre o qual pouco se sabe. As pesquisas sobre esse artista, conduzidas pelo historiador do Iphan Carlos Gutierrez Cerqueira, levaram à identificação do escultor Bartolomeu Teixeira Guimarães (1738-?) como autor do monumental altar-mor, com 12 m de altura por 6 m de largura. Emergiram também indicações da colaboração entre Guimarães e José Patrício da Silva Manso (1753-1801), autor da pintura do forro e mestre de Jesuíno, indicando as conexões entre artistas e suas obras. Jesuíno também fez pinturas em outras três igrejas de Itu, a do Carmo, a da Nossa Senhora do Patrocínio e a do Bom Jesus.

Ideias renovadas
“Estamos desfazendo o preconceito de que o barroco paulista era pobre e inexpressivo”, diz o restaurador Júlio Moraes, proprietário de uma empresa de restauração. Ele começou a trabalhar com o barroco paulista em 1990, quando restaurou a capela de 1681 de um sítio em São Roque, próximo à capital paulista, doado por Mário de Andrade ao Iphan. “Existem de fato muito mais obras e artistas do que se pensava”, acrescenta, confirmando os alertas de seus professores do curso de artes plásticas na Universidade de São Paulo (USP) em meados da década de 1970. Em 2001, com sua equipe, Moraes restaurou a pintura do teto da capela-mor da Candelária de Itu, para onde voltou em 2014 para cuidar de outras obras.

“Esta entrada estava toda pintada de cinza”, diz Tirapeli ao ingressar na igreja da Ordem Terceira de São Francisco, no Largo do São Francisco, capital, construída entre 1676 e 1787. “Tudo estava caindo.” Fechada por muitos anos, a igreja foi em boa parte restaurada com recursos de empresas (Lei Rouanet) e do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Quem a visitar pode agora ver as portas de cores vivas e um altar reluzente, concluído em 1792, com um douramento “sem equivalente em nenhum outro lugar do Brasil”, diz. As paredes da capela-mor exibem 10 pinturas religiosas refinadas da primeira metade do século XVIII, com 2,2 m de altura, até alguns anos atrás cobertas por resíduos que as enegreciam. Segundo ele, essas pinturas foram produzidas em ateliês portugueses e “atestam a influência italiana no barroco brasileiro”, além de indicarem o poder de compra dos religiosos.

Danielle identificou 56 pintores que trabalharam em igrejas de São Paulo, Itu e Mogi das Cruzes entre 1750 e 1827. Como resultado, o grupo dos artistas paulistas mais conhecidos – Jesuíno do Monte Carmelo e José Patrício da Silva Manso – ganha o reforço de outros, como Lourenço da Costa de Macedo, Antonio dos Santos e Manuel do Sacramento, que pintaram os forros do vestíbulo, da capela-mor e da nave da igreja da Ordem Terceira do Carmo em Mogi das Cruzes, como detalhado em um artigo publicado em 2016 na revista Caiana, do Centro Argentino de Investigadores de Arte. Danielle identificou também uma rara pintora, Miquelina Constância das Chagas, que fez a douração dos seis altares da igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em São Paulo, no século XIX. Se as obras e as trajetórias profissionais dos artistas barrocos estão mais claras, os detalhes pessoais, como as datas de nascimento e morte, ainda são incertos.


© LÉO RAMOS CHAVES


A restauradora Ana Cristina Jacinto recupera o São João Evangelista da igreja da Candelária em Itu

Em outro estudo do grupo da Unesp, o arquiteto Rafael Schunk resgatou dois artistas pouco conhecidos, o frade português Agostinho da Piedade (1580-1661) e seu aluno Agostinho de Jesus (1600-1661), que viveram e trabalharam no Vale do Paraíba. Schunk considera Agostinho de Jesus “o primeiro artista brasileiro”. Depois dele é que vieram os outros mais conhecidos do barroco brasileiro, Antônio Francisco Lisboa (1738-1814) – o Aleijadinho – e Manuel da Costa Ataíde (1762-1830), em Minas Gerais, e Valentim da Fonseca e Silva (1745-1813), no Rio de Janeiro.

A historiadora de arte Maria José Passos, professora da Universidade Cruzeiro do Sul, identificou mais obras barrocas do que esperava ao percorrer 79 igrejas de 47 cidades do estado de São Paulo como parte de seu doutorado, concluído em 2015 na Unesp (ver mapa). Uma dezena de esculturas religiosas com pelo menos 200 anos de idade estava guardada sem identificação em armários, sacristias ou depósitos. Outras se perderam. “A maior parte dos bens móveis não está devidamente catalogada”, ela observou.

Maria José ficava intrigada toda vez que via esculturas que destoavam do conjunto, com olhos de vidro, principalmente no Vale do Paraíba, embora ainda fossem barrocas. A pesquisadora da Unesp e restauradora Cristiana Cavaterra tinha a resposta: muitas dessas obras tinham sido feitas pelo artista italiano Marino Del Favero (1864-1943). Favero se mudou para o Brasil aos 28 anos e abriu um ateliê de esculturas sacras e altares no centro da cidade de São Paulo. Ele anunciava seu trabalho em jornais, vendia por catálogo e recebia encomendas de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, empurrando uma parte do barroco para o começo do século XX. Os historiadores de arte afirmam que o barroco termina formalmente com A última ceia, pintada por Costa Ataíde no Colégio do Caraça, em Minas, em 1828.


© LÉO RAMOS CHAVES


Na capela-mor da Candelária, altar, teto e paredes foram restaurados…

Durante 50 anos, estima-se que o artista italiano tenha produzido 300 altares, como os da matriz de Pindamonhangaba e de uma capela em São Luiz do Paraitinga, ambas em São Paulo, e em uma igreja de Maria da Fé, em Minas, além de cerca de mil esculturas de portes variados. “Mesmo com uma produção em escala industrial, ele se considerava artista e zelava pela qualidade do que produzia com sua equipe”, diz Cristiana. “Seu gosto pessoal e a influência dos mestres italianos prevaleceram em sua obra.”

Os trabalhos e descobertas mais recentes indicam que São Paulo produziu menos obras do que estados como Minas, Rio ou Bahia. As paredes das igrejas da capital e do interior paulista eram predominantemente de taipa de pilão, com uma decoração despojada, enquanto nos outros estados eram de pedras e ricamente adornadas. “As paredes brancas contrastam com um altar colorido”, diz Moraes. “Não era possível cobrir tudo de ouro, mas às vezes usavam prata, que vinha da Bolívia, como em Itu.”

Como as cidades paulistas – principalmente a capital – cresceram em ritmo mais acelerado a partir do século XIX, a arte barroca destoa da paisagem urbana, no olhar do artista plástico Emanoel Araújo, diretor do Museu Afro Brasil, em São Paulo: “São Paulo tem um lado espartano”. Como diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo entre 1992 e 2002, ele promoveu exposições que ampliaram a visibilidade do barroco brasileiro. Em 1998, a mostra O universo mágico do barroco brasileiro, com a curadoria de Araújo, expôs 364 peças de 1640 a 1820 no Centro Cultural Fiesp.


© LÉO RAMOS CHAVES


…mas o trabalho continua no arco da entrada

Segundo Tirapeli, as exposições e a publicação de livros sobre o barroco (ver Pesquisa FAPESP no 90) nos últimos anos renovaram o interesse dos especilialistas e dos órgãos públicos sobre a necessidade de restauração artísitca das obras de arte da época do Brasil Colônia. Em consequência dessa mobilização, 10 igrejas do estado resgataram as cores e o brilho originais, como a matriz de Itu, as igrejas da Ordem Terceira do Carmo e da de São Francisco, a da Boa Morte e a de Santo Antônio, na cidade de São Paulo; a da Candelária, em Itu; a basílica antiga de Nossa Senhora da Aparecida, em Aparecida; e a matriz de Jacareí.

“Já se perdeu muito, enquanto o barroco paulista era menos valorizado”, diz o historiador da arte Mozart Costa, professor de restauração artística da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e da Universidade Cidade de São Paulo. Cerqueira, do Iphan, leu relatos sobre 45 capelas rurais paulistas do século XVII, procurou-as, mas encontrou apenas duas. “Chegou o momento de investirmos intensamente na restauração de obras artísticas do mesmo modo que o Iphan tem investido na restauração da arquitetura das igrejas há 80 anos”, diz ele. “Há muito ainda por fazer.”

Embora o interesse pelo barroco paulista tenha sido revivido, falta investimento. Nas paredes de um corredor da igreja da Ordem Terceira do Carmo estão 19 quadros de Jesuíno do Monte Carmelo quase totalmente cobertos por resíduos pretos. A restauração de cada um custaria cerca de R$ 50 mil e, como não há dinheiro, não há data para começar.

Veja mais imagens sobre o barroco paulista em galeria de imagens

Projeto
Autoria das pinturas ilusionistas do estado de São Paulo: São Paulo, Itu e Mogi das Cruzes (nº 13/04082-1); Modalidade Bolsa de Doutorado; Pesquisador responsável Percival Tirapeli (Unesp); Bolsista Danielle Manoel dos Santos Pereira; Investimento R$ 168.710,49.

Artigo científico
PEREIRA, D. M. S. Pintura setecentista na igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo em Mogi das Cruzes (SP-Brasil). Caiana – Revista Virtual de Historia del Arte y Cultura Visual. v. 8, n. 1, p. 105-20, 2016.

Livro
TIRAPELI, P. Arquitetura e urbanismo no Vale do Paraíba. São Paulo: Editora Unesp/Sesc, 2014. 250 p.

Fonte: Revista Pesquisa Fapesp

terça-feira, 23 de maio de 2017

III Seminário Internacional de Conservação e restauro de Bens Culturais Móveis




“III SEMINARIO INTERNACIONAL DE CONSERVACIÓN Y RESTAURACIÓN DE BIENES CULTURALES MUEBLES” 

Del 29 de mayo - 02 de junio, Cusco - Perú


Las inscripciones para los talleres se apertura el día lunes 22 de mayo del presente, en la página web: www.culturacusco.gob.pe

Llenar ficha de inscripción y adjuntar resumen de su hoja de vida en una página en formato pdf, para la selección de participante de los talleres.

El día miércoles 24 se comunicará vía correo electrónico a las personas seleccionadas para ser parte de estos talleres.

Los talleres tendrán una capacidad de 20 personas como máximo.

PROGRAMA
TALLERES


DIA 29 – 30 – 31 de mayo
 Inicio: 9:00 – 14:00 hrs

Lugar: 
Centro de Restauración de la Dirección Desconcentrada de Cultura de Cusco
Ex Casa Hacienda del Marqués de Valleumbroso - Choquepata – Tipón – Oropesa - Cusco

TALLER 01
COLOMBIA
Lic. MYRIAN A. MENESES SIERRA

“DE LA PERCEPCIÓN VIRTUAL A LA PRÁCTICA DE LA REINTEGRACIÓN CROMÁTICA”

TALLER 02
ESPAÑA
Dra. MARIA TERESA PASTOR VALLS

“TRATAMIENTOS DE ADHESIÓN Y CONSOLIDACIÓN EN PINTURA DE CABALLETE TRADICIONAL Y CONTEMPORÁNEA: MATERIALES Y SISTEMAS DE APLICACIÓN”

TALLER 03
PERÚ
Mg. ETHEL VERÓNICA CASTRO NÚÑEZ

“GESTIÓN DE RECURSOS PARA LA CONSERVACIÓN PREVENTIVA DEL PATRIMONIO CULTURAL ARQUEOLÓGICO EN EL PERÚ”

TALLER 04
PORTUGAL
Mg. AIDA MARIA PEREIRA NUNES

“BIODEGRADACIÓN POR HONGOS EN OBRA GRÁFICA – TRATAMIENTO Y PRESERVACIÓN”

TALLER 05
MÉXICO
I.Q.I. VICTOR SANTOS VASQUEZ

“IDENTIFICACIÓN DE MATERIALES POR SECCIONES ESTRATIGRÁFICAS DE MUESTRAS PROVENIENTES DE OBRAS DEL PATRIMONIO CULTURAL”

PROGRAMA
SEMINARIO:


Las inscripciones para el Seminario se apertura el día MARTES 23 de mayo del presente, en la página web: www.culturacusco.gob.pe

DIA JUEVES 01 de junio
Inicio: 9:00 – 18:00 hrs

Tema: “CRITERIOS Y PROTOCOLOS APLICADOS A LA CONSERVACIÓN: PARTICIPACIÓN DEL ARTISTA ANTES DE LA INTERVENCIÓN”
Expositor: Lic. Maria Alexandra Gambetta Sponza - Perú
Hora: 09:30 – 10:15 hrs

Tema: “LA INTEGRACIÓN PICTÓRICA EN LA ESCULTURA DE MADERA POLICROMADA. MADERA, COLOR Y DORADO: UNA CUESTIÓN DE EQUILIBRIO”
Expositor: Lic. Francesca Tonini - Italia
Hora: 10:30 – 11:15 hrs

Break : 11:30 – 11:45 hrs

Tema: “AL OTRO LADO DE LOS CUADROS MARCOS/BASTIDORES”
Expositor: Téc. Hugo Gomez - Bolivia
Hora: 11:45 – 12:30 hrs

Tema: “LA RESTAURACIÓN DE PINTURA DE CABALLETE EN EL MUSEO DE AMÉRICA DE MADRID: CRITERIOS Y ACTUACIONES”
Expositor: Dra. María Rocio Bruquetas Galán
Hora: 12:45 – 13:30 hrs

Receso : 13:30 – 15:00

Tema: “DE LA PERCEPCIÓN VIRTUAL A LA PRÁCTICA DE LA REINTEGRACIÓN CROMÁTICA”
Expositor: Lic. Myriam A. Meneses Sierra - Colombia
Hora: 15:00 – 15:45 hrs

Tema: CONFERENCIA ON-LINE
Expositor: Dra. María Pilar Ortiz Calderón - España
Hora: 16:00 – 16:45 hrs

Break : 17:00– 17:15

Tema: “IDENTIFICACIÓN DE MATERIALES, POR SECCIONES ESTRATIGRÁFICAS DE MUESTRAS PROVENIENTES DE OBRAS DEL PATRIMONIO CULTURAL”
Expositor: I.Q.I. Víctor Santos Vásquez - México
Hora: 17:15 – 18:00 hrs

DIA VIERNES 02 de junio
Inicio: 9:00 – 17:00 hrs

Tema: “NUEVOS ADHESIVOS PARA UN REENTELADO: BODEGÓN CON MEMBRILLOS”
Expositor: Lic. Pilar Sedano Espin - España
Hora: 09:00 – 09:45 hrs

Tema: “REALIZACIÓN DE UNA ESCULTURA DE PAPELÓN BASÁNDONOS EN LOS ESTUDIOS CIENTÍFICOS REALIZADOS A IMAGEN PRIMITIVA DE LA VIRGEN DE LOS DESAMPARADOS DEL SIGLO XV DE VALENCIA, ESPAÑA”
Expositor: Dra. Rosa María Román Garrido - España
Hora: 10:00 – 10:45 hrs

Break : 11:00 – 11:15 hrs

Tema: “PINTURA CONTEMPORÁNEA; MATERIALES, ALTERACIONES Y TRATAMIENTOS DE RESTAURACIÓN”
Expositor: Dra. Maria Teresa Pastor Valls - España
Hora: 11:15 – 12:00 hrs

Break 12:15 – 12:30 hrs

Tema: “BIODEGRADACIÓN POR HONGOS EN OBRA GRÁFICA – TRATAMIENTO Y PRESERVACIÓN”
Expositor: Mg. Aida maría Nunez - Portugal
Hora: 12:30 – 13:15 hrs

Receso : 13:15 – 15:00 hrs

Tema: “GESTIÓN DE RECURSOS PARA LA CONSERVACIÓN PREVENTIVA DEL PATRIMONIO CULTURAL ARQUEOLÓGICO EN EL PERÚ”
Expositor: Mg. Ethel Verónica Castro Núñez - Perú
Hora: 15:00 – 15:45 hrs

Break 16:00 – 16:15 hrs

Tema: “LA RESTAURACIÓN DEL CONJUNTO ESCULTÓRICO DE HERBERT HOFFMAN YSENBOURG EN EL PRIMER TEMPLO DEL MOVIMIENTO MODERNO EN MÉXICO”
Expositor: Lic. Ricardo Mejía – Lic. Selene Velazquez - México
Hora: 16:15 – 17:00 hrs

Evento Gratuito
Vacantes limitadas¡¡¡


Fonte: 
Coordinación de Obras y Puesta en Valor de Bienes Muebles

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Restauro põe a descoberto mais dois centímetros de tela de Josefa de Óbidos (Portugal)



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A "Lamentação sobre o Cristo Morto", da autoria de Josefa de Óbidos, voltou à capela de A-da-Gorda, Óbidos, depois de um ano de restauro que pôs a descoberto mais dois centímetros da tela original.

"A tela tinha cerca de dois centímetros dobrados, que estavam omissos no quadro e foram agora restaurados", afirmou hoje Verónica Ribeiro, mestranda do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), responsável da recuperação da pintura de Josefa d'Óbidos.

A pintora Josefa de Óbidos (1630-1684) esteve este ano no centro do programa do município de Óbidos para assinalar o Dia Internacional dos Museus e foi tema da palestra em que a Técnica de Conservação e Restauro detalhou o processo de restauro levado a cabo na tela "Lamentação sobre o Cristo Morto" (c.1670).

A pintura, que chegou ao Politécnico de Tomar a 15 de novembro de 2016, regressou à igreja de A-da-Gorda um ano depois, com 1,68 por 85 centímetros, depois de recuperados os dois centímetros que se encontravam dobrados para o interior da moldura.

Apesar de recuperado, esse rebordo da tela "continua a não ser visível para o público", já que a pintura foi recolocada na moldura original, mas, segundo a técnica "foi criado um acrescento na parte traseira para permitir que a tela não seja dobrada e se mantenha a pintura completa".

O restauro do quadro foi feito no âmbito de uma parceria entre o IPT, a Paróquia e a Câmara de Óbidos que "tem já inventariadas mais obras para serem restauradas por alunos do Politécnico, com supervisão dos professores e acompanhamento técnico", disse à agência Lusa a vereadora da Cultura, Celeste Afonso.

As telas do Santuário do Senhor da Pedra (cuja obra de restauro foi iniciada este mês) "serão as próximas a intervencionar, até para poderem voltar a ser expostas o mais rapidamente possível após a conclusão da obra no edifício", mas, segundo a vereadora, a lista integra igualmente "um conjunto de telas de várias capelas do concelho".

À agência Lusa a vereadora adiantou a intenção de "solicitar apoio à Direção-Geral do Património Cultural para outros restauros, já que dada a grande quantidade de obras que queremos restaurar temos que alargar as parcerias para ter resultados num menor número de anos".

A "Lamentação sobre o Cristo Morto", é considerada "uma peça muito relevante pela sua qualidade, porém nunca apresentada em qualquer exposição realizada" sobre a pintora (Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa, em 1949; Óbidos, em 1983; Palácio da Ajuda em Lisboa, em 1991; diversas exposições em Itália, França e Estados Unidos; novamente Óbidos, na exposição dedicada ao pai, Baltazar Gomes Figueira, em 2006; e r no Museu Nacional de Arte Antiga, em 2015).

Esta última, denominada "Josefa de Óbidos e a Invenção do Barroco Português", foi visitada por 25 mil pessoas entre a inauguração, a 16 de maio de 2015 e o início de setembro, levando a organização a prolongar a mostra, que deveria ter encerrado no dia 6 e decorreu até 20 daquele mês.

A exposição integrava 130 peças de pintura, escultura e artes decorativas, provenientes de várias instituições nacionais e internacionais, como os museus do Prado, em Madrid, e de Bellas Artes de Sevilha, assim como o Mosteiro do Escorial, situado perto da capital espanhola.

A pintora Josefa de Ayala Figueira - mais conhecida por Josefa de Óbidos, onde viveu - nasceu em 1630, em Sevilha, Espanha, e faleceu em 1684, em Óbidos, Portugal, com 54 anos.

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