quarta-feira, 15 de junho de 2016

Patrimônio em ruínas: Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Piranga (MG), conta com a sorte para permanecer em pé


Por Defender




Um dos mais importantes e expressivos templos barrocos de Minas corre risco eminente. A estrutura está comprometida, telhado danificado e estado de deterioração está em avançado estágio e já compromete a obra. As pinturas internas, atribuídas ao Manuel da Costa Ataíde, mais conhecido como Mestre Ataíde, estão descaracterizando devido a infiltrações. A situação geral é comprometedora e intervenções urgentes são necessárias ao imóvel do século XVIII.

A Igreja de Bom Jesus do Matozinhos, situada no distrito de Santo Antônio do Pirapetinga, mais conhecido como Bacalhau, fica na parte mais alta do município, cercado por inúmeras montanhas e matas nativas. O local chama atenção pela rara beleza cultural, histórica e natural.

Preocupada com a degradação do patrimônio histórico, representantes da Secretaria Municipal de Cultura estiveram no final de fevereiro, em Belo Horizonte, com os técnicos IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) onde expuseram a situação da Igreja e entregaram um dossiê alertando sobre restauro urgente do exemplar barroco.



Segundo Kelly Dutra, que presta assessoria a prefeitura de Piranga na área cultural, a Igreja do Bacalhau é um bem tombado pelo IPHAN e desde a reunião a prefeitura aguarda um retorno. “Por ser um bem cujo tombamento é de responsabilidade do IPHAN (Federal), outros órgãos, tais como o Estado e a Prefeitura ficam limitados ao acompanhamento do IPHAN para quaisquer ações. Até mesmo a comunidade local, que poderia fazer alguma ação fica nessa limitação de ter um acompanhamento do IPHAN”, disse.

Segundo ela foi sugerido a contratação de um profissional para escorar as paredes da igreja, mas a iniciativa depende também de decisão e acompanhamento do IPHAN. Kelly explicou que as novas mudanças no Governo Federal também atrasam quaisquer ação, uma vez que mudam pessoas de lugar o que acaba acarretando uma alterações em toda a estrutura do órgão e na sua política de proteção ao patrimônio cultural. Ela contou que as lideranças comunitárias também alertam sobre a situação e estão bastante preocupados com o bem histórico.



Kelly disse a nossa reportagem que ainda não existe projeto de restauro. “Outro problema é o valor para restaurar a Igreja. Somente os projetos devem ficar na casa de R$1 milhão, por que envolve equipe multidisciplinar de profissionais muito especializados. Isso sem contar a execução. Esse é outro problema que precisa da ajuda do Governo Federal. As obras no forro têm indicativos de serem do Mestre Athayde, isso faz com que o restauro seja muito mais especifico e minucioso”, informou. Segundo ela, as obras de reforma e restauro podem passar de mais de R$ 15 milhões.

Enquanto as decisões não saem dos gabinetes o patrimônio histórico pede socorro e a Igreja de Bom Jesus de Matozinhos conta com a sorte para permanecer em pé!

A lenda de Bacalhau, romeiros e sua história

Implantado sobre uma colina e composto pela igreja e um conjunto de casas baixas destinadas a abrigar romeiros nas épocas de festas, numa disposição que segue a tradição arquitetônica das capelas portuguesas de peregrinação devotada ao Senhor Bom Jesus de Matozinhos. Assim pode ser descrito o Santuário do Senhor Bom Jesus do Matozinhos, construído no Distrito de Bacalhau.

A cidade de Piranga está localizada a 170 km de Belo Horizonte. É composta por dois distritos: Santo Antônio do Pirapetinga e Pinheiros Altos. Localizado a 12 km da cidade, o distrito de Santo Antônio do Pirapetinga, mais conhecido como Bacalhau, fica na parte mais alta do município, cercado por inúmeras montanhas da Zona da Mata.

Para os apreciadores de roteiros religiosos, Bacalhau é uma parada obrigatória. O distrito contempla inúmeras igrejas datadas do século XVII e XVIII, entre elas o Santuário do Senhor do Bom Jesus de Matozinhos que foi tombado pelo IPHAN em 1996.



Entre 1ª a 15 agosto aconteceu o Jubileu de Bom Jesus de Matozinhos, tradição que chega a 205 anos e arrasta multidões de fieis ao lugarejo.

Curiosidade

Segundo uma lenda local, a capela foi construída após a descoberta da imagem do Senhor Morto, no sítio onde hoje se localiza a igreja. Por diversas vezes a população tentou guardá-la em outras igrejas da região, mas a imagem sempre voltava ao lugar em que apareceu pela primeira vez. Independente da lenda, o passeio é imperdível!

Fonte original da notícia: Correio de Minas

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